Viver sem guerra? Poderes locais e relações degênero no cotidiano popular

Por equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco


Autor: Marcelo Reis

Referência[editar | editar código-fonte]

BIRMAN, Patrícia & PIEROBON, Camila. Viver sem guerra? Poderes locais e relações de gênero no cotidiano popular. Rev. antropol. (São Paulo, Online) | v. 64 n. 2: e 186647 | USP, 2021.

Contextualização[editar | editar código-fonte]

Patrícia Birman é professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Camila Pierobon é integrante do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). A produção do artigo se insere no contexto dos projetos "A gestão da pobreza e seus gêneros: políticas públicas, emaranhados e apropriações no Rio de Janeiro" (CNPQ/FAPERJ) e "Interstícios: entre a violência masculina do estado, do tráfico de drogas e da família, um corpo de mulher" (FAPESP).

Principais argumentos[editar | editar código-fonte]

Em "Viver sem guerra? Poderes locais e relações de gênero no cotidiano popular", Patricia Birman e Camila Pierobon se debruçam sobre os efeitos do combate ao tráfico de drogas no cotidiano das periferias do Rio de Janeiro. Ao focar nos papéis de mulheres nesse cenário, as autoras buscam compreender a formação de relações de gênero em cenários de guerra. Assim, entendem-se os múltiplos aspectos que afetam papéis de gênero, tais como assassinatos, violência física e violência moral.

Na pesquisa, Birman e Pierobon estudam o caso da Vila Carolina Maria de Jesus. A comunidade, originalmente pensada em um modelo de autogestão, teve uma de suas casas ocupada por traficantes. A partir desse momento, a sociabilidade local passou por uma série de mudanças, agora mediadas pelas ameaças do tráfico e também das ações policiais. Ao mesmo tempo, os moradores preocupavam-se em manter a legitimidade de sua moradias, que já tinha sido alvo de tentativas de remoção.

Nesse sentido, o artigo destaca a heterogeneidade de atores sociais e de suas ações, em um emaranhado influenciado pela guerra. Tráfico e Estado produzem referências, memórias, cotidianos e temporalidades próprias para os moradores da Vila. Dessa forma, compreende-se a formação de uma subjetividade a partir dos conflitos urbanos no Rio de Janeiro.

Outras referências[editar | editar código-fonte]

FARIAS, Juliana. 2015. Governo de Mortes: Uma etnografia da gestão de populações de favelas no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, tese de doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

FELTRAN, Gabriel. 2011. “‘Trabalhadores’ e ‘bandidos’ na mesma família”. In: CABANES, Roger; GEORGES, Isabel; RIZEK, Cibele; TELLES, Vera. (org.). Saídas de Emergência: ganhar/perder a vida na periferia de São Paulo. São Paulo: Boitempo Editorial, pp. 397-417.

LEITE, Márcia Pereira. 2008. “Violência, risco e sociabilidade nas margens da cidade: percepções e formas de ação de moradores de favelas cariocas”. In: MACHADO DA SILVA, Luiz Antônio. (org.). Vida sob cerco: violência e rotina nas favelas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, pp. 115-143.