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= <span style="font-size:large;">'''Cria da Maré'''</span> =
 
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<p style="text-align: justify;">Cria, gíria que, nas favelas do Rio de Janeiro, se refere a quem nasceu e cresceu - foi criado - em determinado território. Maré nome popular do '''[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=O_Bairro_da_Maré Conjunto de Favelas da Maré]''', localizado na zona norte do Rio de Janeiro. A Maré abriga 16 favelas (Baixa do Sapateiro, Morro do Timbau, Parque Maré, Nova Maré, Nova Holanda, Rubens Vaz, Parque União, Conjunto Esperança, Conjunto Pinheiros, Vila do Pinheiro, Vila do João, 'Salsa e Merengue', Marcílio Dias, Roquete Pinto, Praia de Ramos, Bento Ribeiro Dantas e Mandacaru) e 129 mil moradores segundo o Censo Maré 2010. Ao se apresentar como Cria da Maré, Marielle reivindicava a sua identidade de favelada e a importância deste lugar em sua trajetória e também formação.</p> <p style="text-align: justify;">Como grande partes das favelas Cariocas, a Maré é composta por uma maioria negra, nordestina, ou descendente de nordestinos. A família de Marielle não é diferente.&nbsp;Marinete da Silva e Antônio Francisco da Silva Neto (Seu Toinho), seus pais, são descendentes de paraibanos. Seu avô paterno&nbsp;foi um dos primeiros moradores da Maré, ainda na época em que a maioria das casas eram palafitas. Parte de sua “tendinha” encontra-se exposto no Museu da Maré. A primeira filha do casal, Marielle Francisco da Silva, nasceu em 27 de julho de 1979. A menina comunicativa e serelepe cresceu na &nbsp;Maré, morando em diferentes localidades ao longo da vida, Conjunto Esperança, Timbau, Baixa do Sapateiro e Conjunto Manoel Nóbrega. Ainda criança, Marielle ganha uma irmã, Anielle, por quem muitas vezes enfrentou garotos encrenqueiros e a quem já&nbsp;ensinava a não baixar a cabeça para ninguém. &nbsp;Marielle ressaltava que foi uma adolescente favelada, que estudou em escolas públicas, frequentou o grupo jovem da Igreja Católica, brincava na rua e fugia para ir ao [https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Baile_Funk '''baile funk'''].</p>  
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<p style="text-align: justify;">Cria, gíria que, nas favelas do Rio de Janeiro, se refere a quem nasceu e cresceu - foi criado - em determinado território. Maré nome popular do '''[https://wikifavelas.com.br/index.php?title=O_Bairro_da_Maré Conjunto de Favelas da Maré]''', localizado na zona norte do Rio de Janeiro. A Maré abriga 16 favelas (Baixa do Sapateiro, Morro do Timbau, Parque Maré, Nova Maré, Nova Holanda, Rubens Vaz, Parque União, Conjunto Esperança, Conjunto Pinheiros, Vila do Pinheiro, Vila do João, 'Salsa e Merengue', Marcílio Dias, Roquete Pinto, Praia de Ramos, Bento Ribeiro Dantas e Mandacaru) e 129 mil moradores segundo o Censo Maré 2010. Ao se apresentar como Cria da Maré, Marielle reivindicava a sua identidade de favelada e a importância deste lugar em sua trajetória e também formação.</p> <p style="text-align: justify;">Como grande partes das favelas Cariocas, a Maré é composta por uma maioria negra, nordestina, ou descendente de nordestinos. A família de Marielle não é diferente.&nbsp;Marinete da Silva e Antônio Francisco da Silva Neto (Seu Toinho), seus pais, são descendentes de paraibanos. Seu avô paterno&nbsp;foi um dos primeiros moradores da Maré, ainda na época em que a maioria das casas eram palafitas. Parte de sua “tendinha” encontra-se exposto no Museu da Maré. A primeira filha do casal, Marielle Francisco da Silva, nasceu em 27 de julho de 1979. A menina comunicativa e serelepe cresceu na &nbsp;Maré, morando em diferentes localidades ao longo da vida, Conjunto Esperança, Timbau, Baixa do Sapateiro e Conjunto Manoel Nóbrega. Ainda criança, Marielle ganha uma irmã, Anielle, por quem muitas vezes enfrentou garotos encrenqueiros e a quem já&nbsp;ensinava a não baixar a cabeça para ninguém. &nbsp;Marielle ressaltava que foi uma adolescente favelada, que estudou em escolas públicas, frequentou o grupo jovem da Igreja Católica, brincava na rua e fugia para ir ao [[Baile_Funk|'''baile funk''']].</p>
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= <span style="font-size:large;">'''Mãe'''</span> =
 
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<p style="text-align: justify;">Como a mesma repetia, em um primeiro momento, Marielle&nbsp;não fugiu das estatísticas. Aos 19 anos tornou-se mãe de sua única&nbsp;filha, Luyara Santos. “Ser mãe na favela não é fácil”, contava Marielle, sempre narrando histórias de quando Luyara era bebê. Empurrar o carrinho pelos becos e vielas esburacados, sem saneamento básico e, principalmente, debaixo de muito tiro, eram alguns dos maiores desafios da Marielle-mãe. Luyara nasceu em uma maternidade pública, estudava em creche pública&nbsp;e viveu seus primeiros anos de vida na Maré. Aos poucos, com muito trabalho e algumas oportunidades, Marielle foi reescrevendo essa história, acessando novos caminhos e proporcionando à sua filha uma vida menos atribulada. Quando Luyara tinha por volta de 8 anos, Marielle conseguiu se formar em Ciências Sociais, passou a trabalhar diretamente com Direitos Humanos, algo que já era parte de sua vida através da militância. Assim, conseguiu pagar os estudos da filha, que se formou no Ensino Médio e, atualmente, estuda na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).&nbsp;</p> <p style="text-align: justify;">Muitas pessoas acreditavam que Luyara era irmã de Marielle, devido à semelhança e à relação de amizade das duas. Faziam muitas atividades juntas, mas uma das que mais gostavam eram os ensaios do Bloco Apafunk, em que Luyara tocava caixa, cantava e estava aprendendo a reger; e Marielle tocava tamborim e agogô. Mesmo com pouco tempo e uma vida muito corrida, ela não deixava de ir aos encontros semanais, ressaltando sempre que era o lugar de se divertir com a filha.</p>  
 
<p style="text-align: justify;">Como a mesma repetia, em um primeiro momento, Marielle&nbsp;não fugiu das estatísticas. Aos 19 anos tornou-se mãe de sua única&nbsp;filha, Luyara Santos. “Ser mãe na favela não é fácil”, contava Marielle, sempre narrando histórias de quando Luyara era bebê. Empurrar o carrinho pelos becos e vielas esburacados, sem saneamento básico e, principalmente, debaixo de muito tiro, eram alguns dos maiores desafios da Marielle-mãe. Luyara nasceu em uma maternidade pública, estudava em creche pública&nbsp;e viveu seus primeiros anos de vida na Maré. Aos poucos, com muito trabalho e algumas oportunidades, Marielle foi reescrevendo essa história, acessando novos caminhos e proporcionando à sua filha uma vida menos atribulada. Quando Luyara tinha por volta de 8 anos, Marielle conseguiu se formar em Ciências Sociais, passou a trabalhar diretamente com Direitos Humanos, algo que já era parte de sua vida através da militância. Assim, conseguiu pagar os estudos da filha, que se formou no Ensino Médio e, atualmente, estuda na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).&nbsp;</p> <p style="text-align: justify;">Muitas pessoas acreditavam que Luyara era irmã de Marielle, devido à semelhança e à relação de amizade das duas. Faziam muitas atividades juntas, mas uma das que mais gostavam eram os ensaios do Bloco Apafunk, em que Luyara tocava caixa, cantava e estava aprendendo a reger; e Marielle tocava tamborim e agogô. Mesmo com pouco tempo e uma vida muito corrida, ela não deixava de ir aos encontros semanais, ressaltando sempre que era o lugar de se divertir com a filha.</p>  

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