Nós do Morro

De Dicionario de Favelas Marielle Franco
Ir para navegação Ir para pesquisar

Informações retiradas das redes sociais do Grupo.

Logo do Nós do Morro..jpg

 

Sobre

GRUPO NÓS DO MORRO é uma organização social que tranforma vidas atraves do acesso a arte e cultura e da capacitação profissional para a industria criativa.

História

Fundado para oferecer formação técnica a jovens da comunidade do Morro do Vidigal, Rio de Janeiro, o grupo dirigido por Guti Fraga alterna a montagem de textos clássicos e criações coletivas.

Em 1986, o padre austríaco Humberto Leeb e Joana Batista Costa fundam o Centro Cultural Padre Leeb, no Morro do Vidigal, e convidam o ator e diretor Guti Fraga, que mora no Vidigal desde 1977, para desenvolver um projeto cultural. Com Luiz Paulo Corrêa e Castro, Fred Pinheiro e Fernando Mello da Costa, ele apresenta a proposta de formar atores e técnicos e despertar na comunidade o interesse pelo teatro.

O primeiro espetáculo, em 1987, Encontros, de Luiz Paulo Corrêa e Castro e Tino Costa, nasce a partir de improvisações realizadas em aulas de teatro voltadas para a comunidade. Em seguida Guti Fraga recorre a dois textos da comédia popular brasileira, Torturas do Coração, de Ariano Suassuna, 1987, e Os Dois ou O Inglês Maquinista, de Martins Pena, 1988. No ano seguinte, o diretor coordena uma criação coletiva, com texto finalizado por Luiz Paulo Corrêa e Castro, com o título de Biroska. A peça se passa em frente a uma birosca e conta a história de Neguinho, um morador do morro que acredita ter ganhado no jogo do bicho. A iluminação do espetáculo é feita com 50 latas de Neston reaproveitadas e transformadas em refletores, e com mesa de luz montada artesanalmente. O espetáculo, produzido com a ajuda dos comerciantes do Vidigal, conta com 21 atores entre 7 e 79 anos.

Em 1990, Fraga transforma em musical um sucesso de 1973, montado pelo Teatro Ipanema, Hoje É Dia de Rock, de José Vicente. Em 1991, o grupo faz dois espetáculos musicais de variedades: Show das Cinco e Show das Sete, misturando teatro, dança, música, humor, dublagens, participações de artistas conhecidos e prêmios oferecidos pelo comércio local.

Em 1995, Rosane Svartman e Vinícius Reis realizam o documentário Depoimento - Nós do Morro, que marca o início das atividades do grupo Nós do Cinema. Em 1996, inaugura-se o Teatro do Vidigal, com capacidade para 80 pessoas, construído com o dinheiro obtido pelo espetáculo Show das Sete, além de colaborações de comerciantes da comunidade e do Conselho Britânico. Ali estréia, em 1996, Machadiando, que reúne três peças curtas de Machado de Assis (1839 - 1908): Lição de Botânica, Antes da Missa e Hoje Avental, Amanhã Luva. O Nós do Morro recebe o Prêmio Shell na categoria Especial pelos 11 anos de atividade.

No mesmo ano, apresenta-se pela primeira vez fora do Vidigal, em evento no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB, com o resultado do trabalho sobre Hamlet, de Shakespeare, desenvolvido com os ingleses Dominic Barter e Cicely Berry, da Royal Shakespeare Company.

Nos anos seguintes, o grupo monta uma série de textos de Luiz Paulo Corrêa: Abalou - Um Musical Funk, 1998; o infantil É Proibido Brincar, 1998; Noites do Vidigal, 2002; e Burro Sem Rabo, ou ..., 2003, este último encenado com direção de Fernando Mello da Costa. Abalou, que aborda a vida dos jovens do morro através dos bailes funk, principal opção de lazer nas comunidades pobres do Rio de Janeiro, recebe seis indicações para o Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem, e vence na categoria especial. Em 1998, o grupo faz sua primeira temporada em circuito comercial, com repertório que reúne Machadiando, Abalou e É Proibido Brincar.

Noites do Vidigal estréia no Teatro Maria Clara Machado e recebe crítica de O Globo, por Barbara Heliodora, que afirma: "(...) temos de tratar com o devido respeito o trabalho do Nós do Morro (...). Há, em todo o espetáculo, uma alegria, um humor, um orgulho do trabalho feito, que se comunicam brilhantemente com a platéia".¹

Em 2004, Fernando Mello da Costa dirige Sonho de Uma Noite de Verão - uma intromissão do Grupo Nós do Morro no mundo de Shakespeare, adaptação de Luiz Paulo Corrêa e Castro da peça de Shakespeare. Macksen Luiz analisa o espetáculo no Jornal do Brasil: "A adaptação não critica ou desrespeita, muito menos se intimida ou retrai diante da carga cultural do texto, tão-somente redimensiona as possibilidades de comunicação aplicadas a um mundo referencial diverso. (...) Sonho de uma noite de verão dá seqüência ao empenhado trabalho dos atores do Nós do Morro, em progresso constante a cada nova montagem".²

Em 2006, o grupo se apresenta no festival internacional de Stratford-Upon-Avon, vilarejo natal de Shakespeare, com Os Dois Cavalheiros de Verona, com direção de Guti Fraga, comemorando 20 anos de existência. No mesmo ano, estréia a criação coletiva Amores Trágicos, com direção de Renato Rocha, e A Frente Fria que a Chuva Traz, de Mário Bortolotto, com direção de Caco Ciocler.

O Nós do Morro reúne hoje mais de 50 pessoas, entre diretores, atores, técnicos, autores e colaboradores em diversas áreas. A gestão do grupo cabe a um núcleo formado por cinco pessoas: Guti Fraga, Zezé Silva, Fernando Mello da Costa, Luiz Paulo Côrrea e Castro e Fred Pinheiro. Este último é responsável pela direção artística; Zezé Silva e Maria Ester Moreira pela direção administrativa e José Gonzaga Araújo pela produção. E conta com os atores Luciana Bezerra, Gustavo Melo, Luciano Vidigal, Gorette Bezerra, Márcio Lopes, Márcia Francisco, Arthur Sherman, Renan Monteiro e Guilherme Estevan.

História do Nós do Morro

Redes sociais