Usuário:Camila Moreira

De Dicionário de Favelas Marielle Franco
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Autora: Camila Brito Moreira

Verbete: Casa de acolhimento para crianças em Niterói

Os abrigos: Falando especificamente da cidade de Niterói, existem 4 abrigos institucionais para crianças e adultos (focarei nas crianças) em situação de vulnerabilidade, que pode ser compreendida de algumas formas. Existem muitos fatores para as crianças irem parar nesse tipo de instituição, como: abandono familiar, negligência familiar, ato infracional de pequeno porte que seja denunciado por alguém e então, compreendido pelas autoridades como falta de atenção da família, risco de morte em sua comunidade, bairro ou cidade e até mesmo por vontade própria. Assim que uma criança chega no abrigo, a primeira coisa a se tentar é que ela retorne para a família o mais rápido possível, seja para os pais ou para algum parente que aceite e possa ter a guarda dela. Caso isso não seja possível a segunda tentativa é de que a criança ou adolescente seja adotada por alguma família, se ela - a criança - quiser. Também pode acontecer da acolhida ter uma família (de sangue), mas preferir ser adotada. E por último, no caso de nenhuma dessas alternativas derem certo, nosso objetivo é preparar essa criança (durante todo o processo de estadia dela no abrigo, na verdade, mas nesse momento com mais afinco, pode-se dizer) para a vida independente quando ela precisará sair do abrigo, com 18 anos. Ajudá-la na construção de sua autonomia, independência, disciplina etc para que consiga se virar sozinha quando deixar o acolhimento. A instituição serve para que a criança seja protegida e fique em segurança até que possamos realizar alguma das alternativas citadas anteriormente. Dentro do abrigo a rotina é de diversas crianças, de diversas idades, que possuem origens às vezes parecidas e às vezes bem diferentes, se relacionando 24h por dia entre si e com os profissionais da casa. No dia a dia da casa existem os educadores sociais, as assistentes sociais, a psicóloga, as vigias, a assistente de serviços gerais e o coordenador. Fora isso, algo comum no cotidiano do abrigo são ações voluntárias, que partem muitas das vezes de pessoas ligadas à alguma igreja da região e que vão lá para dar oficinas, aulas e promoverem eventos e festas para as crianças acolhidas.

Colaboradores: Existem abrigos da rede privada e também existem da rede pública, que é sustentado pela prefeitura. As refeições de todo o dia são oferecidas pela prefeitura, assim como eventuais suportes e auxílios necessários na casa, como por exemplo, gás de cozinha e lâmpadas que venham a queimar. Porém, mesmo que a prefeitura forneça o básico necessário para as crianças viverem ali, é frequente a elaboração de eventos como lanches e atividades com as crianças por parte dos educadores e também dos voluntários. A relação com a igreja e os voluntários oriundos da mesma é muito forte e acaba tendo influências na própria rotina e vida pessoal das crianças de maneira notável. Os acolhidos sempre recebem doações de roupas, brinquedos e até mesmo acessórios para o uso coletivo da casa, como também são realizadas festas de aniversário de 15 anos com tudo que elas têm direito. Em paralelo com esses eventos e doações, as crianças acabam se inserindo na rotina da igreja, indo à cultos, retiros, criando uma relação forte com a bíblia e tudo que ela significa e também realizando orações em algumas ocasiões como na hora dos lanches ofertados pelos voluntários, com o objetivo de agradecer por tudo que recebem. Além de voluntarios da igreja também existem alguns outros que não possuem ligações diretamente religiosas mas que participam de ONGs e projetos sociais que têm como intenção ajudar e fazer com que a vida dessas crianças carentes em tantos aspectos da vida, seja um pouco melhor e mais feliz. Paralelamente à tudo isso também existem os padrinhos e madrinhas das crianças, que se trata de um processo institucional e burocrático, onde qualquer pessoa pode se candidatar para apadrinhar alguma criança e, dessa forma, levá-la para sair, dar presentes, levá-la para dormir e ficar um pouco em sua casa… sem de fato, adotá-la oficialmente. Não são todas as crianças que são apadrinhadas, algumas por não terem tido a oportunidade ainda e outras simplesmente por não terem vontade e não se disponibilizarem para tal. De uma forma ou de outra, o objetivo é sempre o mesmo: oferecer alternativas para essas crianças com histórias e trajetórias tão difíceis e complexas, para que elas possam ter uma perspectiva melhor de suas vidas, para que possam sonhar com diversas possibilidades de futuro e que se transformem em pessoas incríveis e donas de sua própria vida e história, com muita autonomia, responsabilidade e esperança.