Morro dos Cabritos

Por equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco

Morro dos Cabritos é uma favela localizada em um morro de mesmo nome, entre os bairros de Copacabana e Lagoa, no Rio de Janeiro. A comunidade começou a se formar em 1926, quando imigrantes nordestinos se estabeleceram na subida do morro. Foi por causa desses primeiros moradores, que criavam cabras, que o morro ganhou o nome.

Autoria: Equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco.

História[editar | editar código-fonte]

O Morro dos Cabritos está localizada nos limites do Bairro Peixoto, em Copacabana, e integra a VI Região Administrativa. A comunidade está assentada no lado sudoeste do morro da Saudade e no lado norte do Morro dos Cabritos, numa espécie de anfiteatro formada por estas formações. A origem do nome da comunidade provém do fato de os moradores, desde o início da ocupação, pastorearem seus animais - cabritos em sua maioria – na encosta do morro, o que provocou o fim da vegetação[1].

A história da Comunidade Morro dos Cabritos começa ainda no século 19 com o desmatamento do Morro da Saudade pela população das chácaras de Botafogo, que usavam a madeira em construções e como lenha combustível. Mas a ocupação só começou em 1926 com a chegada de migrantes da Região Nordeste e do sul de Minas Gerais, que se instalaram nas terras com autorização do suposto proprietário. A vegetação do morro foi preservada até os anos 60, quando, diante da expansão das favelas do Cantagalo e da Catacumba, moradores passaram a ocupar a parte do Morro dos Cabritos voltada para a Lagoa Rodrigo de Freitas.

No início dos anos 70 a população desta comunidade era estimada em 20 mil pessoas e assim, utilizando o argumento do "crescimento desordenado", o poder público removeu cerca de 10 mil pessoas da Favela da Catacumba. Em 1979 foi criado no local o Parque Carlos Lacerda, mais conhecido como Parque da Catacumba. Em meados da década de 70, o poder público passou a fazer melhorias na iluminação e no acesso à comunidade. Com isso, a Companhia Pires e Santos S.A. propôs a moradores que residiam nas proximidades da Rua Santa Clara a mudança para a área mais alta do morro, em troca de compensação financeira.

Anos depois, a área foi considerada imprópria à ocupação, já que se aproximava muito dos prédios da Avenida Henrique Oswald e da Praça Vereador Rocha Leão. Com ajuda da Cruzada São Sebastião, os moradores fizeram um acordo de indenização com a companhia, evitando que a remoção lhes deixasse sem moradia. O acordo deu aos moradores os terrenos de número 456 e 460 da Rua Euclides da Rocha, nas proximidades do morro.

O projeto habitacional e de infra-estrutura foi elaborado pela Prefeitura e as obras realizadas em regime de mutirão. Bem organizada, a Associação de Moradores do Morro dos Cabritos absorveu, em 1985, as comunidades do Morro São João, do Morro da Saudade, da Ladeira dos Tabajaras, da Mangueirinha e da Real Grandeza, o que significa uma população de cerca de 16 mil pessoas.

O morro[editar | editar código-fonte]

A favela fica localizada em um morro de mesmo nome e integra o Parque Natural Municipal da Catacumba, que por sua vez faz parte da Área de Proteção Ambiental Morro dos Cabritos e Saudade. Uma trilha no parque leva até o Mirante do Sacopã, uma trilha íngreme com duração de cerca de uma hora e meia até chegar à Pedra do Maroca. No ponto mais alto, há uma vegetação exuberante.

Seu cume fica a 378 metros de altura e você vai poder avistar Leme, Copacabana, Botafogo, Urca, Pão de Açúcar e até mesmo Niterói de um lado e, do outro lado da montanha, você pode ver a Lagoa Rodrigo de Freitas, Ipanema, Leblon, Jardim Botânico, Gávea, Morro Dois Irmãos, Floresta da Tijuca e Ilhas Cagarraras. Há também 10 vias de acesso ao topo para montanhistas[2].

População e domicílios[editar | editar código-fonte]

Dados fornecidos pelo SABREN[3].
Ano População Domicílios Fonte
2000 2.040 637 IBGE - Censo Demografico 2000
2010 2.598 885 IBGE - Censo Demográfico 2010
2022 5.099 2.164 IPP com base em IBGE - Censo Demográfico 2022

Densidade 2022 (pop/dom): 2,36

Expansão da ocupação[editar | editar código-fonte]

Gráfico da variação de área ocupada do Morro dos Cabritos.

Nos últimos anos, o Morro dos Cabritos teve alguns picos de aumento da área ocupada no território, com destaques para o ano de 2012 e 2017, como mostra o gráfico acima.

Segundo relatos, o crescimento acentuado nos anos de 2010 a 2012 tem como justificativa a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na comunidade. Danilo Ferreira, presidente da Associação de Moradores da Ladeira dos Tabajaras e Morro dos Cabritos, relatou em matéria jornalística da época[4] da instalação da UPP que serviços básicos como abastecimento de água e a coleta de esgotos não deram conta do crescimento populacional. Ele avalia que, desde 1990, a população tenha aumentado em aproximadamente 35% (com crescimento mais acentuado depois da UPP).

Iniciativas locais[editar | editar código-fonte]

Projeto Morro de Amor[editar | editar código-fonte]

Morro de Amor é um projeto social idealizado por Edson Batista, morador local, que trabalha a inclusão através da música com crianças e adolescentes do Morro dos Cabritos. O projeto oferece aulas de ukulele, cavaco, violão e percussão, além de ter se tornado bloco recentemente.

CEESC e Tabritur[editar | editar código-fonte]

A Casa Eco Esportiva Sócio Cultural (CEESC) é um espaço misto que oferece cursos, oficinas e eventos sociais, culturais e de geração de renda. Estas são as propostas do CEESC[5].

Surgida a partir da CEESC, a Tabritur é uma empresa de turismo comunitário fundado pelo lider comunitário Gilmar Lopes. Sua função é gerar oportunidade qualificada para os moradores afim de prestar um serviço de turismo comunitário de qualidade. O tour é conduzido por moradores, fundamentado por um estudo do potencial turístico da comunidade feito em parceria com a Sebrae em 2012 e 2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. Fonte: Sistema de Assentamentos de Baixa Renda (SABREN).
  2. Fonte: Wikipedia.
  3. Os dados foram obtidos a partir da compatibilização entre os polígonos que configuram a área ocupada pelas favelas delimitadas pelo IPP e os respectivos setores censitários do IBGE. Cabe ressaltar que os valores aqui apresentados foram ESTIMADOS com base nos dados PRELIMINARES divulgados por setor censitário pelo IBGE em março de 2024 e a qualquer momento PODEM SER REVISTOS E ALTERADOS, uma vez que em novembro de 2024 o IBGE divulgou uma nova malha censitária. Os dados revistos e disponibilizados como finais pelo IBGE incluem a identificação de Favelas e Comunidades Urbanas, que, na maioria dos casos, têm limites que diferem daqueles definidos pelo IPP. Assim, a metodologia adotada buscou a replicação dos resultados por setor censitário quando estes estão localizados inteiramente no interior das favelas. Quando os setores estão em parte relacionados às favelas IPP, utilizou-se a geração da estimativa de população e domicílios através da ferramenta de Estatística Zonal para esta parte, somando estes resultados aos setores anteriormente citados para cada favela.
  4. Fonte: Viva Favela.
  5. Fonte: Rio On Watch.