Pedreira Prado Lopes

De Dicionario de Favelas Marielle Franco
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Verbete criado pela Equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco  

Visão aréra da favela.jpg

Sobre a favela

Pedreira Prado Lopes é a mais antiga favela de Belo Horizonte. Sua ocupação começou entre 1900 e 1920. Os primeiros moradores foram operários que trabalharam na construção da nova capital, atraídos pela proximidade do Centro e pela presença de serviços na região da Lagoinha.

Inaugurada em 1897, Belo Horizonte (BH) foi cencebida a partir de um plano modernista para receber a nova capital do estado. Paralelamente à sua construção, no início do século XIX surge a favela Pedreira Prado Lopes (PPL), inserida na região da Lagoinha – regional Noroeste de BH – e localizada ao lado do centro de BH, demarcada física, social e simbolicamente pela Av. do Contorno.  Segundo Guimarães (1992)a PPL é uma das primeiras favelas da capital que ainda existe nos dias de hoje. , 

Os primeiros moradores da PPL foram operários que vieram do interior de Minas Gerais buscando melhores qualidades de vida e trabalho na contrução da capital. Em entrevista, Valéria Borges, moradora, liderança comunitária da PPL e militante do Movimento Nacional de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), conta que as pedras para a construção da Avenida do Contorno foram retiradas da pedreira em que a favela está fixada e que, sua avó assim como os outros primeiros moradores da PPL, trabalhou na obra da cidade modernista.

O nome originou-se do fato de que no local funcionavam uma das cinco pedreiras que forneceram material para a edificação da cidade (as outras são Acaba Mundo, localizada no sopé da Serra do Curral, perto da Praça JK; Morro das Pedras, no Bairro Gutierrez; Lagoinha e Carapuça) e em homenagem ao Dr. Antônio Prado Lopes Pereira, que assumiu a pedreira após a construção da cidade. Anteriormente, teve outros nomes: Pedreira da Lagoinha, Vila Senhor dos Passos, Fazenda Palmital, Vila João Pessoa e Vila Santo André. 

Mais conhecida por causa dos altos índices de criminalidade e pobreza, a Pedreira é, no entanto, o principal berço do samba de Belo Horizonte e da primeira escola de samba da cidade, a Pedreira Unida. Músicos importantes como Mestre Conga, Jorge Bibiano e Seu Ronaldo tiveram origem na Pedreira.  

Um estudo realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte em 1998 apontou a Pedreira Prado Lopes como um dos lugares de mais baixa renda na cidade. De lá para cá a situação melhorou um pouco, principalmente a partir de intervenções do Projeto Vila Viva, que asfaltou várias ruas e construiu um conjunto habitacional no local.

Em 2017 foi iniciado na Pedreira Prado Lopes o primeiro shopping social do país, localizado na rua Araribá e administrado pela ONG Inconformados, ligada à Igreja Batista da Lagoinha. O objetivo do empreendimento é oferecer alternativas de renda aos moradores da Pedreira.

A Região Noroeste foi consolidada no período compreendido entre 1893-1897, quando imigrantes e operários vieram trabalhar na construção da capital. A falta de espaço na região central fez com estes trabalhadores fossem deslocados para fora dos limites da Avenida do Contorno.

Neste contexto surgiu na Lagoinha a Pedreira Prado Lopes, primeiro pólo habitacional da região.

Documentário "Eu, Pedreira"

Pesquisa: "As tessituras da memória e a construção imaginária do espaço: história oral e patrimônio na Pedreira Prado Lopes"

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Pedreira berço do samba em BH

A Pedreira Prado Lopes, na Lagoinha, na Região Noroeste de Belo Horizonte, é considerada o berço do samba na capital. Aos pés do aglomerado, um encontro de três músicos, três talentos formados na Pedreira Prado Lopes.Três gerações do samba. Jorge Bibiano, Seu Ronaldo e Mestre Conga. 
“A primeira escola de samba em Belo Horizonte, surgiu aqui, no coração aqui da Pedreira”, disse Mestre Conga se referindo ao aglomerado. São memórias de um tempo de ouro do samba e da boemia da capital.
Quem também luta para manter viva a história do samba em BH é o Seu Ronaldo, sambista da velha guarda, nascido e criado no Buraco Quente, vila vizinha à Pedreira Prado Lopes.

“Eu tinha minha liberdade, barracão de cinco cômodos. Descendo a rua Itapecerica eu já estava na boemia”, lembra Ronaldo Antônio da Silva, comerciante e músico. E a vida na favela também virou melodia, rendeu um samba, uma homenagem ao Buraco Quente.

Outro sambista da comunidade é o pedreiro Jorge Bibiano. Enquanto canta, ele vai reformando a casa, construída por ele mesmo dentro do aglomerado. “A minha formação como pessoa, como ser humano, de educação, de cultura, foi através do samba. Eu aprendi na comunidade da Pedreira”.

Referências