Comitê Comunitário Virtual de Monitoramento das Ações de Enfrentamento da COVID-19 nos bairros populares de Salvador

De Dicionario de Favelas Marielle Franco
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Autoria: Comitê Comunitário Virtual de Monitoramento das Ações de Enfrentamento da COVID-19 nos bairros populares de Salvador  

Apresentação

Quem somos?

Salvador é uma cidade desigual. A maioria de sua população é negra, mora nas comunidades empobrecidas no centro e na periferia da cidade, tem renda mensal menor que 2 Salários Mínimos (SM), escolaridade abaixo do ensino fundamental, condições de moradias desumanas, pouca ventilação, alta densidade domiciliar, crônico desemprego, violência policial e é mantida empobrecida por histórica concentração de renda e discriminação.

Em tal quadro, as doenças infecciosas como o coronavírus e muitas outras doenças e agravos encontram condições ideais para sua disseminação. A experiência histórica já mostrou que em sociedades desiguais, com discriminação de raça e classes como a em que vivemos, em que os recursos diagnósticos, leitos UTIs são escassos, esses não chegarão até nós os pobres se não nos unirmos, mobilizarmos e lutarmos.

Considerando essa realidade, nós Moradores (as) de bairros populares, membros de Associações de Moradores e Militantes dos Movimentos Sociais e Profissionais de Saúde, diante do cenário de falta de comando e propostas do governo federal, e despreocupação com o avanço rápido da transmissão do Coronavírus nas comunidades, a falta de recursos básicos como água tratada, álcool gel, a falta de informações e orientação mais confiáveis, adequadas à realidade cultural, social e econômica de nossa comunidades, resolvemos tomar a iniciativa de mobilizar e articular com outras comunidades, universidade e setores de Salvador para assumir um papel de maior protagonismo. Desse modo, buscamos levantar as necessidades e demandas dos bairros para os gestores, apoiar e monitorar as ações efetivas preconizadas pela OMS, defender a adoção entre nós das ações exitosas da China, Coreia, Venezuela e Cuba, e assegurar que recursos de prevenção, controle, diagnóstico e tratamento cheguem as pessoas que precisarão em nossas comunidades, evitando assim, que as mortes atinjam desproporcionalmente a população negra e pobre de Salvador.

O que queremos?

Nosso objetivo principal é mobilizar e articular o protagonismo de lideranças, organizações e movimentos sociais de todas as comunidades de Salvador, Sindicatos de trabalhadores em Saúde, movimentos negros, feministas, ambientalistas, organizações de defesa dos direitos humanos, religiosos e universidades para cobrança das ações efetivas de proteção do Coronavírus entre as populações mais vulneráveis.

Secundariamente, iremos identificar, levantar e mapear as demandas e necessidades dos Bairros relacionadas ao coronavírus, ajudando as comunidades a encaminhar as reivindicações junto aos gestores. Iremos também, apoiar as comunidades populares no acompanhamento e monitoramento para assegurar que as ações de prevenção e controle efetivas para prevenção do coronavírus preconizadas pela OMS e por países que tiveram sucesso em reduzir a transmissão e as mortes pelo coronavírus, também alcancem as populações mais vulneráveis.

Organização e Funcionamento

O funcionamento do Comitê será virtual. Para isso, utilizaremos como recursos disponíveis: a Internet, as redes sociais e as ferramentas de comunicação e educação em saúde que serão discutidas por meio de videoconferências. Contaremos também, com uma Coordenação para servir de “cimento”, liga da articulação e mobilização das entidades, lideranças e movimentos das comunidades, universidades e trabalhadores em saúde. Também nos responsabilizaremos pela compilação, organização dos dados, disseminação, repercussão e encaminhamentos das reivindicações de interesse coletivos. Embora alguns de nós tenhamos partido e defendamos esse direito, esse movimento é apartidário, por que pretende unir o maior número de pessoas que concordam com o objetivo de ajudar as comunidades empobrecidas de Salvador a enfrentar o coronavírus. Pretende-se também, ter uma coordenação democrática representativa e da maior parte dos os segmentos, mas que não será hierárquico.

Reivindicações e ações imediatas

Dependerá da objetividade das discussões e contribuições apresentadas nas videoconferências.

Propostas extraídas da 1ª reunião coordenada por Vilma Reis (membro do grupo impulsor do Comitê Comunitário), realizada em 22/03/2020:

  1. Auxílio financeiro de urgência para os trabalhadores informais 
  2. Exigir que a SMS da Prefeitura de Salvador e/ou a SESAB forneçam ou assegurem o fornecimento de sabão para higiene das mãos e geral, regularização do fornecimento de água tratada aos bairros populares (Embasa)
  3. Suspensão dos cortes do fornecimento de água e energia nos bairros populares enquanto durar a situação de calamidade pública
  4. Mapeamento imediato em cada um dos 12 DS dos locais para instalação de leitos com respiradores e demais para atendimento dos casos de média e alta complexidade e para isolamento
  5. Implantação e implementação de dispositivo em celular que permita que pessoas assintomáticas com suspeita de infecção pelo Corona vírus possam se auto-notificar, ser identificadas, rastreadas, pré-avaliadas pelo sistema e pela SMS e/ou SESAB e encaminhadas para diagnóstico, avaliação médica isolamento, atendimento em UTI.
  6. Criação de Comitê Distrital Virtual de Enfrentamento do Coronavírus em cada um dos 12 DS de Salvador com a participação de Profissionais de Saúde das unidades de saúde locais, representantes das comunidades e de Universidade.
  7. Assegurar a busca e avaliação dos contatos dos casos confirmados de Coronavírus ocorridos nas comunidades
  8. Assegurar que todos os casos e contatos identificados nas comunidades tenham encaminhamentos adequados
  9. Assegurar o acesso das comunidades aos testes rápidos distribuídos pelo Governo Federal para todos casos prováveis, suspeitos assintomáticos e contatos