Mudanças entre as edições de "Histórico fundiário do Complexo do Alemão"

De Dicionario de Favelas Marielle Franco
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Autora: Rute Imanishi Rodrigues(Complexo do Alemão).
 
  
A região atualmente delimitada como o bairro e região administrativa do Complexo do Alemão era uma área rural, ocupada por fazendas de propriedade privada até o início do século XX.  Segundo informações das escrituras destas terras, até então, haviam apenas casas esparsas, algumas delas grandes, para utilização dos proprietários, assim como uma porção de casas de pau-a-pique, provavelmente ocupadas por trabalhadores rurais, e que se situavam nos acessos que cortavam as fazendas da região, como as ruas Joaquim de Queiróz (então ‘Caminho do Capitão’), e a Rua Antônio Austregésilo (então Travessa Campos da Paz). A planta cadastral da cidade, de 1922, indica que toda a Serra da Misericórdia era coberta por mata rala ou densa, e havia alguns pomares cultivados em seu entorno (figura 1).
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'''Autora: Rute Imanishi Rodrigues (Complexo do Alemão).'''
  
A ocupação ‘urbana’ desta área iniciou-se através de dois loteamentos em partes dessas fazendas, um do lado de Inhaúma e outro do lado de Olaria. Do lado de Olaria, o polonês Leonard Kaczmarkiewicz abriu um loteamento na encosta da serra, entre os anos 1910-1920, e iniciou um empreendimento de ‘aluguel de chão’, que posteriormente seria conhecido como Morro do Alemão. Do lado de Inhaúma, a firma “A Propriedade S.A, ” abriu um loteamento antes da década de 1930, que hoje dá acesso à favela Fazendinha. Na década de 1940, algumas glebas de uma fazenda da região foram vendidas para o Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários (IAPC), e há relatos de que os primeiros moradores destas áreas obtiveram autorização do instituto para ali se instalarem.
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A região atualmente delimitada como o bairro e região administrativa do Complexo do Alemão era uma área rural, ocupada por fazendas de propriedade privada até o início do século XX. Segundo informações das escrituras destas terras, até então, haviam apenas casas esparsas, algumas delas grandes, para utilização dos proprietários, assim como uma porção de casas de pau-a-pique, provavelmente ocupadas por trabalhadores rurais, e que se situavam nos acessos que cortavam as fazendas da região, como as ruas Joaquim de Queiróz (então ‘Caminho do Capitão’), e a Rua Antônio Austregésilo (então Travessa Campos da Paz). A planta cadastral da cidade, de 1922, indica que toda a Serra da Misericórdia era coberta por mata rala ou densa, e havia alguns pomares cultivados em seu entorno (figura 1).
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A ocupação ‘urbana’ desta área iniciou-se através de dois loteamentos em partes dessas fazendas, um do lado de Inhaúma e outro do lado de Olaria. Do lado de Olaria, o polonês Leonard Kaczmarkiewicz abriu um loteamento na encosta da serra, entre os anos 1910-1920, e iniciou um empreendimento de ‘aluguel de chão’, que posteriormente seria conhecido como Morro do Alemão. Do lado de Inhaúma, a firma “A Propriedade S.A, ” abriu um loteamento antes da década de 1930, que hoje dá acesso à favela Fazendinha. Na década de 1940, algumas glebas de uma fazenda da região foram vendidas para o Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários (IAPC), e há relatos de que os primeiros moradores destas áreas obtiveram autorização do instituto para ali se instalarem.
  
 
A maior parte das fazendas da região foi dividida em glebas que foram loteadas como áreas urbanas até meados dos anos 1950, sobretudo nas ‘bordas’ do Complexo, que coincide com as partes baixas daquela secção da Serra da Misericórdia, e boa parte destes lotes foram ocupados por indústrias. Por outro lado, algumas fazendas (ou glebas destas fazendas) no interior da região não passaram por loteamentos formais junto à prefeitura. Em parte dessas fazendas havia ocupações de arrendatários, ou cobrava-se “aluguel de chão” até meados da década de 1960. A partir desses núcleos iniciais de casebres, alguns dentro de fazendas outros dentro de loteamentos, o processo de ocupação da área se espalhou, em alguns momentos de forma lenta, e em outros momentos de forma abrupta, conformando, ao longo das décadas de 1950 e 1980, o conjunto de favelas que hoje compõem o Complexo do Alemão.<ref>COUTO, P. A. Relatório sintético das entrevistas realizadas (jun./2012 a jan./2014). In: RODRIGUES, R. I. (Coord.). Projeto História das Favelas do Complexo do Alemão. Rio de Janeiro: Ipea, 2014.</ref><ref>COUTO, P. A.; RODRIGUES, R. I. A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas. Brasília: Ipea, 2015. (Texto para Discussão, n. 2159).</ref><ref>IPEA – INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Complexo do Alemão, cidade em construção. Brasília: Ipea, 2010. Videodocumentário.</ref><ref>INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Intervenção sociourbanística do Complexo do Alemão – Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Relatório Final. Brasília: Ipea, 2011. Mimeografado.</ref><ref>INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Histórico fundiário e da urbanização do Complexo do Alemão. Relatório de Pesquisa. Rio de Janeiro: Ipea, 2013. Mimeografado.</ref>
 
A maior parte das fazendas da região foi dividida em glebas que foram loteadas como áreas urbanas até meados dos anos 1950, sobretudo nas ‘bordas’ do Complexo, que coincide com as partes baixas daquela secção da Serra da Misericórdia, e boa parte destes lotes foram ocupados por indústrias. Por outro lado, algumas fazendas (ou glebas destas fazendas) no interior da região não passaram por loteamentos formais junto à prefeitura. Em parte dessas fazendas havia ocupações de arrendatários, ou cobrava-se “aluguel de chão” até meados da década de 1960. A partir desses núcleos iniciais de casebres, alguns dentro de fazendas outros dentro de loteamentos, o processo de ocupação da área se espalhou, em alguns momentos de forma lenta, e em outros momentos de forma abrupta, conformando, ao longo das décadas de 1950 e 1980, o conjunto de favelas que hoje compõem o Complexo do Alemão.<ref>COUTO, P. A. Relatório sintético das entrevistas realizadas (jun./2012 a jan./2014). In: RODRIGUES, R. I. (Coord.). Projeto História das Favelas do Complexo do Alemão. Rio de Janeiro: Ipea, 2014.</ref><ref>COUTO, P. A.; RODRIGUES, R. I. A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas. Brasília: Ipea, 2015. (Texto para Discussão, n. 2159).</ref><ref>IPEA – INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Complexo do Alemão, cidade em construção. Brasília: Ipea, 2010. Videodocumentário.</ref><ref>INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Intervenção sociourbanística do Complexo do Alemão – Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Relatório Final. Brasília: Ipea, 2011. Mimeografado.</ref><ref>INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Histórico fundiário e da urbanização do Complexo do Alemão. Relatório de Pesquisa. Rio de Janeiro: Ipea, 2013. Mimeografado.</ref>

Edição atual tal como às 18h05min de 9 de setembro de 2019

Autora: Rute Imanishi Rodrigues (Complexo do Alemão).

A região atualmente delimitada como o bairro e região administrativa do Complexo do Alemão era uma área rural, ocupada por fazendas de propriedade privada até o início do século XX. Segundo informações das escrituras destas terras, até então, haviam apenas casas esparsas, algumas delas grandes, para utilização dos proprietários, assim como uma porção de casas de pau-a-pique, provavelmente ocupadas por trabalhadores rurais, e que se situavam nos acessos que cortavam as fazendas da região, como as ruas Joaquim de Queiróz (então ‘Caminho do Capitão’), e a Rua Antônio Austregésilo (então Travessa Campos da Paz). A planta cadastral da cidade, de 1922, indica que toda a Serra da Misericórdia era coberta por mata rala ou densa, e havia alguns pomares cultivados em seu entorno (figura 1).

A ocupação ‘urbana’ desta área iniciou-se através de dois loteamentos em partes dessas fazendas, um do lado de Inhaúma e outro do lado de Olaria. Do lado de Olaria, o polonês Leonard Kaczmarkiewicz abriu um loteamento na encosta da serra, entre os anos 1910-1920, e iniciou um empreendimento de ‘aluguel de chão’, que posteriormente seria conhecido como Morro do Alemão. Do lado de Inhaúma, a firma “A Propriedade S.A, ” abriu um loteamento antes da década de 1930, que hoje dá acesso à favela Fazendinha. Na década de 1940, algumas glebas de uma fazenda da região foram vendidas para o Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários (IAPC), e há relatos de que os primeiros moradores destas áreas obtiveram autorização do instituto para ali se instalarem.

A maior parte das fazendas da região foi dividida em glebas que foram loteadas como áreas urbanas até meados dos anos 1950, sobretudo nas ‘bordas’ do Complexo, que coincide com as partes baixas daquela secção da Serra da Misericórdia, e boa parte destes lotes foram ocupados por indústrias. Por outro lado, algumas fazendas (ou glebas destas fazendas) no interior da região não passaram por loteamentos formais junto à prefeitura. Em parte dessas fazendas havia ocupações de arrendatários, ou cobrava-se “aluguel de chão” até meados da década de 1960. A partir desses núcleos iniciais de casebres, alguns dentro de fazendas outros dentro de loteamentos, o processo de ocupação da área se espalhou, em alguns momentos de forma lenta, e em outros momentos de forma abrupta, conformando, ao longo das décadas de 1950 e 1980, o conjunto de favelas que hoje compõem o Complexo do Alemão.[1][2][3][4][5]

Palavras-chaves: histórico fundiário. complexo do alemão. favela. ocupação de terras. serviços públicos.

  1. COUTO, P. A. Relatório sintético das entrevistas realizadas (jun./2012 a jan./2014). In: RODRIGUES, R. I. (Coord.). Projeto História das Favelas do Complexo do Alemão. Rio de Janeiro: Ipea, 2014.
  2. COUTO, P. A.; RODRIGUES, R. I. A gramática da moradia no Complexo do Alemão: história, documentos e narrativas. Brasília: Ipea, 2015. (Texto para Discussão, n. 2159).
  3. IPEA – INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Complexo do Alemão, cidade em construção. Brasília: Ipea, 2010. Videodocumentário.
  4. INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Intervenção sociourbanística do Complexo do Alemão – Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Relatório Final. Brasília: Ipea, 2011. Mimeografado.
  5. INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Histórico fundiário e da urbanização do Complexo do Alemão. Relatório de Pesquisa. Rio de Janeiro: Ipea, 2013. Mimeografado.