Quilombo da Gamboa

Por equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco
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Informações retiradas das redes sociais do projeto


Sobre o projeto

Projeto Quilombo da Gamboa, é um projeto de moradia popular, organizado pela CMP,UMP E CHIQ DA SILVA, que busca dar visibilidade ao déficit habitacional na região portuária do Rio de Janeiro.  

Apoie o Quilombo 

Projeto Habitação Popular Quilombo da Gamboa, iniciativa que promove o modelo autogestionário de produção de moradia, está com uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar a continuidade de suas atividades que contemplam 116 famílias de baixa renda, na zona portuária do Rio de Janeiro.

O projeto nasceu a partir de uma árdua luta dos movimentos sociais, Central de Movimentos Populares e União de Moradia Popular, porém, por conta da atual conjuntura, encontra-se paralisado. A iniciativa desenvolve diversas atividades nos seis terrenos que foram cedidos pela União, mas encontra dificuldades para prosseguir e continuar dando oportunidade as 116 famílias que participam do projeto – cerca de 70% dos titulares dos núcleos familiares são mulheres e 44% possuem mais de 50 anos.

O Observatório das Metrópoles acompanha e apoia essa e outras iniciativas autogestionárias no Rio de Janeiro, promovendo oficinas e cursos de formação que fortalecem o ativismo desses movimentos. As pesquisas desenvolvidas pela rede também evidenciam que, a despeito da legitimidade constitucional da moradia como direito, a mercantilização da cidade impõe diversos arranjos, instrumentos e processos que acentuam as desigualdades socioespaciais do espaço urbano.

Para doar, clique aqui

Quilombo da Gamboa contra o coronavírus

  • O que é a ação: Doações para o Quilombo da Gamboa localizado na Rua da Gamboa, 345 (no binário do porto).
  • Como ajudar:  Marcelo Braga (21) 98233-0102 / Roberto Gomes (21) 97672-0974.

Moradia e Organização Popular: o caso do Quilombo da Gamboa

Retirado do site do Observatório das Metrópoles

Neste artigo, apresentado no XVII Encontro Nacional da ANPUR (São Paulo/maio de 2017), a pesquisadora Paula Menezes de Miranda aborda o tema da autogestão habitacional organizada por movimentos sociais no Rio de Janeiro. A proposta é articular um estudo interdisciplinar do tema da autogestão com o estudo de um caso-referência de moradia popular. Esse artigo tem por objetivo chamar atenção para a importância de se pensar espacialmente a autogestão, apontando alguns caminhos para compreender como esse tipo de gestão está atuando na produção do espaço e, sobretudo, como ela está aparecendo na produção habitacional na cidade do Rio de Janeiro. Para isso será trabalhado um caso-referência, o projeto de moradia popular Quilombo da Gamboa.

O artigo “Moradia e Organização Popular: autogestão habitacional no caso Quilombo da Gamboa” foi apresentado na Sessão Temática 5 — Habitação e a Produção do Espaço Urbano e Regional, do XVII ENANPUR. Paula Menezes Salles de Miranda é Arquiteta e Urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ e mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (PROURB) da UFRJ. É também pesquisadora pelo Laboratório de Direito e Urbanismo (LADU) do PROURB-UFRJ.

O INCT Observatório das Metrópoles divulga o artigo com o propósito de ampliar o debate sobre as experiências de habitação autogestionária. O trabalho de Paula Menezes de Miranda joga luz sobre a atuação dos movimentos populares em áreas centrais.

O QUILOMBO DA GAMBOA

Por Paula Menezes S. de Miranda

O projeto de moradia popular Quilombo da Gamboa começou de uma maneira diferente em relação a outros projetos habitacionais organizados por autogestão no Rio de Janeiro. Em geral, são formados grupos de pessoas com situações de vulnerabilidade habitacional, organizados por movimentos sociais e entidades e a partir do grupo formado o coletivo começa a procura por terrenos para serem construídas as moradias. De acordo com a representante da Fundação Bento Rubião (FBR), o caso Quilombo da Gamboa foi diferente, pois o terreno surgiu antes mesmo do grupo ser formado.

Em 2006, na primeira gestão do governo Lula, foi criado um Grupo de Trabalho Nacional da Secretaria do Patrimônio da União para a identificação de terras públicas e destinação para habitação de interesse social. O objetivo desse trabalho era juntar entidades locais, em diversas cidades do Brasil, para buscar terras da União que tinham potencial para serem destinadas para moradia popular. A representante da Fundação Bento Rubião explicou que no Rio de Janeiro foi formado um grupo com a Caixa Econômica Federal, a Fundação Bento Rubião, a Secretaria do Patrimônio da União e Movimentos Sociais locais, que identificaram terrenos na região portuária. Vale lembrar que a época ainda não se falava do Projeto Porto Maravilha.

Esse trabalho resultou em uma portaria do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Portaria 388/2008 – Ministério do Planejamento), destinando diversos terrenos na região portuária do Rio de Janeiro para construção de Habitação de Interesse Social, vinculados ao Fundo Nacional Habitação de Interesse Social. A representante da FBR relata como surgiu o grupo Quilombo da Gamboa:

Então Gamboa saiu nesse contexto. Surgiram esses terrenos da União a partir desse levantamento desse grupo de trabalho e os movimentos União por Moradia Popular, Central de Movimentos Populares também faziam parte dos conselhos. Eram os movimentos mais atuantes aqui no Rio de Janeiro. CMP tinha na época atuação na Chiquinha Gonzaga, tinha uma atuação na área central. A união (UMP) tinha esse histórico de trabalhar com autogestão em áreas periféricas, justamente porque não tinha acesso à terra, mas tinha uma demanda para isso e a ideia era que dentro dos terrenos identificados, cada organização que atua com moradia tivesse trabalhando em uma área. Como a área que a gente pegou era grande, a gente tentou fazer uma articulação com os movimentos, para ver como poderia ficar isso. Aí a UMP e a CMP se juntaram. Como nenhum era habilitado na época, a fundação (Bento Rubião), que era habilitada, entrou como entidade organizadora e o movimento nacional (MNLM) no ano seguinte entrou para seleção do terreno da Mariana Criola. (Representante da Fundação Bento Rubião)

O coletivo foi criado, então, a partir de demandas das três entidades, a Central de Movimentos Populares (CMP) levou pessoas que pertenciam a ocupação Quilombo das Guerreiras, a União de Moradia Popular (UMP) alguns moradores do Parque da Cidade e famílias que moram perto da Gávea e a Fundação Bento Rubião levou um grupo de famílias que moravam atrás da Central do Brasil, que eles assessoraram juridicamente para reivindicar usucapião. Quando o grupo recebeu o terreno, já tinham 10 famílias morando nos galpões. A representante da FBR explica que a primeira coisa que as entidades organizadoras fizeram foi conversar com essas famílias para incorporá-los no programa de acordo com a vontade de cada um.

O coletivo começou a se reunir em 2009 na ocupação Quilombo das Guerreiras e desenvolveram o projeto junto com as arquitetas do escritório Chica da Silva. Esse projeto ganhou menção honrosa no 4o Prêmio da Caixa.

Com o Projeto do Porto Maravilha, o Projeto Quilombo da Gamboa começou a sofrer interferências, como, por exemplo, a modificação de seu terreno, pelo traçado da Via Binário do Porto (via criada por causa da demolição da Perimetral) passar em seus limites.

O coletivo se mostrou indignado com essa alteração, pois tiveram que recomeçar a pensar o projeto a partir dos novos terrenos, além de perderem unidades do projeto – passaram de 142 para 116 unidades. Além disso, a representante da FBR afirmou que a Via Binário do Porto possuía um outro traçado, que não atrapalharia o terreno do coletivo. Desse modo, tiveram que pressionar a CDURP para desapropriar o terreno ao lado do trecho que foi mantido do terreno original para o coletivo conseguir manter uma unidade de projeto e de grupo. Caso contrário, precisariam dividir o grupo em dois terrenos separados. O resultado foi o desenho de terreno mostrado na imagem 2, que é a soma de 6 terrenos – 4 da Secretaria de Patrimônio da União e 2 da Prefeitura do Rio (CDURP). Esses dois últimos foram os terrenos comprados pela Prefeitura após pressão do coletivo.

O grupo continuou se organizando, resolvendo as burocracias dos novos terrenos e as arquitetas recomeçaram o projeto junto com o coletivo. Em 2015 fecharam contrato do Programa Minha Casa Minha Vida Entidades com financiamento da Caixa Econômica Federal e continuam no desenvolvimento do projeto.

Para conhecer a experiência de autogestão do Quilombo da Gamboa, acesso o artigo completo artigo “Moradia e Organização Popular: autogestão habitacional no caso Quilombo da Gamboa”.