Labjaca

De Dicionário de Favelas Marielle Franco

Lab Jaca - Comunicação e pesquisa no Jacarezinho

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Por Fabiana Batista | NPC

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O contexto de pandemia da Covid-19 em 2020 impulsionou diferentes iniciativas em favelas do Rio de Janeiro que realizaram ações de solidariedade e de conscientização. Uma delas é o Lab Jaca que atua no Jacarezinho, Zona Norte. A equipe é formada por 13 jovens, dentre eles Bruno Souza, coordenador de comunicação que conta com a contribuição de mais dois colegas e outros parceiros para criar conteúdo e divulgar as ações do grupo. Com o objetivo de criar uma agência de comunicação na comunidade, os jovens se juntaram em ações de solidariedade com distribuição de cestas básicas e kits de higiene. Além disso, rodaram as ruas com carros de som e penduraram faixas de conscientização sobre a doença.


Na rua, o Lab Jaca percebeu que os dados oficiais quanto às contaminações na favela não pareciam reais, e decidiram distribuir um formulário, junto com as doações, para dar início a uma pesquisa de dados. Perceberam, então, que havia uma subnotificação do Estado. Segundo Bruno, “a partir destes questionamentos começamos a nos reunir em torno de pesquisas em dados”. E divulgar, via redes sociais, conteúdos didáticos, produzidos em audiovisual, cards e legendas, para que a comunidade tenha acesso a dados conferidos por eles.


Dentre eles, em junho de 2021, um card compara os preços dos materiais usados em operações policiais como caveirão com políticas públicas básicas, como auxílio emergencial, questiona quais são as prioridades do Estado no Jacarezinho. Já foram produzidos dados sobre covid, segurança pública e energia elétrica. Os jovens do Jacarezinho são os mais impactados pelo grupo, porém toda a comunidade os conhece e acompanha suas ações cotidianamente.


Não há jornal impresso, devido à falta de recursos. Via redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram), eles escolheram a linguagem do audiovisual como carro chefe, “pois entendemos que a grande maioria da população do jacarezinho é analfabeta”.


Após a chacina da comunidade que matou 28 jovens, foi realizado um “grafitaço”, que reuniu mais de 30 grafiteiros de todo o Brasil e pintaram muros marcados por balas. O grupo pretende, após a pandemia, realizar mais uma edição desta ação junto com um sonho de realizar um Festival de Cultura.