Segregação socioespacial em Manaus

Por equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco
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Variação de tecidos urbanos na Zona Centro-Sul. Lado a lado, áreas verticalizadas e de casario baixo.

Sobre[editar | editar código-fonte]

As favelas na cidade do Manaus começaram a ter início no final do século XIX, quando várias transformações sócio-econômicas pelas quais o Brasil passava e transformações locais começaram a inchar a área central da cidade, formando os primeiros aglomerados subnormais.

Em 350 anos, Manaus conseguiu desenvolvimento, mas o crescimento sem planejamento e desordenado provocou uma série de problemas ambientais na cidade. Várias áreas de Manaus surgiram e se tornaram bairros após terras públicas e particulares serem invadidas. Um problema histórico que teve como estopim a falta de moradias populares. A incidência de invasões ficou mais intensa com o aumento populacional a partir da migração de pessoas de municípios do interior para capital, além dos migrantes que vieram de outros estados em busca de trabalho e melhores oportunidades de vida em Manaus, após o boom da industrialização.Por outro lado, há indícios também da existência de grilagem de terras. Um mercado criminoso de comercialização de terras ocupadas irregularmente, que segundo a polícia, pode está ligado ao crime organizado.

Segundo dados do Ministério das Cidades, o município apresentava até 2006 um déficit de aproximadamente 68.483 unidades habitacionais. Isto equivaleria, segundo tais pesquisas, a aproximadamente 300 mil cidadãos sem acesso à habitação formal ou em habitações precárias. Segundo dados IBGE de 2010, o bairro Cidade de Deus é o que apresenta o maior número de favelas, com 10.559 habitações em áreas carentes.

Urbanistas e estudiosos das questões urbanas em Manaus apontam a região entre os rios Solimões e Negro, além do igarapé do Mindu, como a área urbana na qual historicamente a prefeitura atuou com maior rigor e com maior planejamento por parte do poder público, assim como a área no qual o poder público mais investiu, sendo também esta a região onde se encontra a maioria dos bairros com melhores indicadores sociais da cidade. Esta região tem perdido população e apresentado uma densidade demográfica cada vez menor, apesar de ser região da cidade com maior índice de infraestrutura e equipamentos sociais. As populações de mais baixa renda e criminosos, acabam assim invadindo as áreas nas bordas do município, mais desprovidas de infraestrutura.É válido mencionar, entretanto, que mesmo dentro da área delimitada por esses rios há algumas regiões de exclusão social, como a favela da Ceasa, no bairro Mauazinho. Por outro lado, há também alguns núcleos de alta renda como Flores, Parque 10 de Novembro, Cidade Nova e os condomínios do Tarumã, que estão localizados fora da área delimitada por esses rios.

Mas outros especialistas lembram que a área da Avenida Torquato Tapajós era pouco habitada, devido ao terreno encharcado e insalubre daquela região próximo ao fim da área urbana. A população construía suas moradias no bairro situado mais acima, a Santa Etelvina. A ocupação da avenida se processou após ocorrerem investimentos imobiliários particulares que consistiam na construção de diversos condomínios e escritórios, que mudaram o perfil daquela região. O Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) firmaram um termo com o objetivo de viabilizar projetos de infraestrutura para Manaus, sobretudo para o programa de revitalização do Centro de Manaus.

Devido à crescente degradação do centro da cidade, alguns projetos de reurbanização, requalificação e revitalização têm sido sugeridos. Bairros situados fora do centro expandido como Japiim, que anos atrás abrigavam uma população pobre e operária, e nos quais há poucos anos havia falta de infraestrutura, sofreram uma grande mudança econômica. Hoje tais bairros dispõem de equipamentos comerciais e de algum investimento infraestrutural. Outros estudiosos creditam ao grande crescimento econômico ocorrido na década de 1970 (apelidado de "milagre econômico") e com a chegada de milhares de migrantes à procura de melhores condições de vida a causa dos problemas de ocupações irregulares na cidade.

O abastecimento de água na cidade é realizado pela empresa Águas de Manaus. A companhia tem trabalhado com o objetivo de universalizar o abastecimento de água, além de ampliar o acesso ao esgotamento sanitário, dos atuais 35% para 80%, até 2030. A cidade conta, ainda, com 36 estações de tratamento de água e esgoto, dos quais 25 estão em operação, duas desativadas e nove sem funcionamento. Cerca de 22% da área urbana da cidade está desmatada. A distribuição de energia elétrica é realizada pela empresa Amazonas Energia.

As regiões Centro-Sul, Norte e Leste são as regiões mais abrangidas pela reurbanização da cidade. A prefeitura mantém a desapropriação de moradias situadas à beira do igarapé do Mindu. A implantação de um Corredor Ecológico também está em construção no local, obra que ligará as zonas Norte e Centro-Sul à Leste. Manaus é a única cidade brasileira a possuir um corredor ecológico.

Além da dualidade centro-periferia que explicita em parte a desigualdade social na cidade, também notam-se pontos em que o contraste é visível e grupos de perfis de renda diversos convivem, como é o caso de bairros como Cidade Nova, Aleixo e São José, que apresenta conjuntos de habitação de alta renda localizados próximos a regiões de favela.

Veja também[editar | editar código-fonte]