Campanha Jovem Negro Vivo

De Dicionario de Favelas Marielle Franco
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A Campanha Jovem Negro Vivo foi idealizada e lançada em 2012 pela Anistia Internacional Brasil como forma de manifesto pelo fim da violência contra juventude negra.   

Temos dois objetivos. O principal é desnaturalizar esse alto índice de homicídios e dos jovens negros em particular; o outro é romper a indiferença das pessoas em relação a isso”, explica o assessor de direitos humanos da Anistia Internacional, Alexandre Ciconello. De acordo com o Mapa da Violência, realizado com base em dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, morreram 80% mais jovens negros do que brancos em 2002. E, em 2012, a diferença mais que dobrou: 169%.

A taxa de jovens brancos vítimas de homicídio foi de 30,1 para cada 100 mil jovens brancos. Já a de negros foi de 80,7 por 100 mil. “As consequências do preconceito e dos estereótipos negativos associados a estes jovens e aos territórios das favelas e das periferias devem ser amplamente debatidas e repudiadas”, afirma o manifesto.

 

O manifesto

O Brasil é o país onde mais se mata no mundo, superando muitos países em situação de guerra. Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados.

Mais absurdo que estes números, só a indiferença.

A morte não pode ser o destino de tantos jovens, especialmente quando falamos de jovens negros. As consequências do preconceito e dos estereótipos negativos associados a estes jovens e aos territórios das favelas e das periferias devem ser amplamente debatidas e repudiadas.

O destino de todos os jovens é viver.

Você se importa?

Eu me importo!

Quero que as autoridades brasileiras assegurem aos jovens negros seu direito a uma vida livre de preconceito e de violência. E priorizem políticas públicas integradas de segurança pública, educação, cultura, trabalho, mobilidade urbana, entre outras.

Eu quero ver os jovens vivos!

Chega de homicídios!

Repercussões

Após três anos de campanha, o manifesto recolheu mais de 60 mil assinaturas. 

Dezenas de coletivos e grupos foram mobilizados em treze cidades do país na luta contra a violência e por juventudes potentes e engajadas em todo Brasil mostrando que se importam e se unem por uma juventude negra viva.

O manifesto Jovem Negro Vivo exige das autoridades brasileiras políticas públicas integradas de segurança pública, educação, cultura, trabalho, mobilidade urbana e a garantia de uma vida livre de discriminação e violência. Através dele ficou claro a importância das juventudes de todo país se mobilizaram pela pauta de enfrentamento ao racismo, valorização da vida e o desenvolvimento de suas potencialidades em seus espaços locais.

Apoios e o futuro da campanha Jovem Negro Vivo

A música ‘Duas de Cinco’, do rapper Criolo, foi cedida gentilmente para trilha do vídeo preparado para o lançamento da Jovem Negro Vivo. Dezenas de artistas comprometidos com a causa somaram suas vozes na mobilização, levando a mensagem da campanha para milhares de pessoas que acompanham e prestigiam seus trabalhos. Camila Pitanga, Emicida, Gilberto Gil, Karol Conka, Nanda Costa, Lenine e o atleta Diogo Silva estão entre os que participaram.

No marco dos três anos da campanha que foi lançada difundindo a ideia de que a morte de tantos jovens negros parecia de alguma forma invisível para parte da sociedade, a Anistia lança a ‘QuilomBOX’, coletânea de materiais direcionados a grupos de juventude negra e das periferias para potencializar seus trabalhos de mobilização pela causa.

Vários vídeos e materiais foram produzidos compartilhando metodologias e estratégias para atuar nas temáticas de juventudes, racismo, violência e direitos humanos.

“Os estados e o governo federal falharam gravemente na luta pela redução dos altos índices de homicídios contra jovens negros e por uma política de segurança que vise preservar a vida de todas e todos. As juventudes mobilizadas durante a campanha Jovem Negro Vivo estão mais preparadas para pressionarem o poder público por seus direitos e para se articularem como forma de resistir as violações de direitos”, concluiu Jurema Werneck.

Acesse a plataforma da coletânea Quilombox aqui

 

Fontes:

Anistia Internacional

Revista Fórum