Juntos pelo Complexo do Alemão (coletivo)

De Dicionario de Favelas Marielle Franco
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Introdução

O Coletivo Juntos pelo Complexo do Alemão é uma união de coletivos e lideranças que já existiam no Complexo do Alemão, efetivada em 2013, para acompanhar, comunicar, pressionar, exigir e denunciar questões relevantes para o desenvolvimento do Complexo.

Histórico do Grupo

Autores: Autores: Marize Bastos da Cunha e Alan Brum Pinheiro.

Na madrugada de 11 de dezembro de 2013, uma intensa chuva caiu sobre a cidade do Rio de Janeiro, causando um maior impacto na zona norte. Ela alcançou o Complexo do Alemão, deixando mais de uma centena de famílias desabrigadas, e outras tantas em situação de risco. No fim da tarde do dia 11, o quadro no Complexo era dramático. Várias famílias deixavam suas moradias, indo para casas de parentes, ou para abrigos improvisados. Em diversas localidades havia ameaças de desabamentos e deslizamentos. Muitos moradores recorriam à ativistas e instituições locais, informando sobre os riscos de suas moradias. A defesa civil demorava a atender aos chamados. E a chuva continuava a cair, com menos intensidade, mas de forma contínua, constituindo uma ameaça para muitas famílias, que temiam permanecer em suas casas, mas também não tinham para onde ir, ou tinham medo de deixar suas moradias e não poder voltar.

Um grupo formado por moradores, que atuam informal ou institucionalmente no Complexo, tomou a frente das ações que socorreram as famílias: identificaram moradias em risco, improvisaram abrigos e criaram uma grande mobilização para doações aos desabrigados. Constituiu-se daí o grupo Juntos pelo Complexo do Alemão, que dialogou com entidades e atores da sociedade civil e órgãos públicos, e operou especialmente através de canais informais de trocas e da rede social, em particular do facebook. O grupo Juntos pelo Complexo do Alemão foi uma dentre outras ações desenvolvidas no enfrentamento dos impactos do temporal, tendo-se convertido no movimento de maior dimensão, e que tomou a frente das negociações com várias instâncias governamentais e não governamentais. Buscamos aqui ensaiar uma leitura sobre o Juntos pelo Complexo do Alemão, compreendendo- o como um movimento de vigilância popular, que emergiu por ocasião de um evento particular, cuja dimensão dramática possibilitou o acionamento das práticas sociais e conhecimentos acumulados pelos moradores, no que se refere a solidariedade local, e a experiência de fóruns anteriores de mobilização comunitária, ao mesmo tempo que dialogou com novas tecnologias de imagem e de rede social, que já vinham sendo utilizadas pelos moradores e coletivos. Diante do efeito caótico do temporal, a favela falou através de suas redes de solidariedade e reconstituiu sua organização comunitária, abalada com os efeitos da dinâmica política do PAC Favelas e da entrada da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Ela ampliou seus canais de interlocução, dialogando com diferentes agentes sociais externos, envolvidos de formas diferenciadas nas lutas pela ampliação dos direitos sociais e humanos. Cabe refletir aqui sobre a particularidade deste movimento e quais caminhos ele indica no que se refere à participação popular, sua relação com o poder público, sua relação com a cidade. O vigor da troca de informações pela rede social virtual levou a abertura de páginas no facebook. No dia 11 foi criado o primeiro grupo SOS Complexo do Alemão e no dia 12, Alan Brum Pinheiro, coordenador do Raízes em Movimento e pesquisador deste projeto, inaugurava a página do Juntos pelo Complexo do Alemão, postando o vídeo de uma casa desabando e relatando o desabamento no Morro das Palmeiras, com o seguinte depoimento:

Hoje o Complexo do Alemão amanheceu com más notícias para todo lado. Ruas alagadas nas imediações, subo a Central no morro do Alemão e vejo uma barreira caída sem que tivesse nenhum peso acima dele. Pensei! Se caiu isso aqui imagine onde a pressão de construções nos diversos locais que já conhecemos? Cheguei no Instituto Raízes em Movimento e liguei o computador e comecei as conexões na nossa Favela. Casas desabadas primeiro na Matinha relatada pela companheira e guerreira Renata Trajano. Suspeita de morte na Pedra do Sapo, novas quedas no Morro dos Mineiros, Morro do Adeus MEU DEUS!!!. Logo depois novos deslizamentos na Pedra do Sapo. Nesse meio tempo também tínhamos marcado a visita com a RELATORA DA ONU para a Água e o Saneamento. Lembrei que as obras do PAC que gastou (de$viou) 1 bilhão de reais não conseguiu realizar obras e políticas que amenizasse tudo isso. O que foi gratificante foi ver o Instituto Raízes em Movimento junto a outros grupos e instituições locais nos juntarmos para entender o todo do caos no Complexo do Alemão. Ocupa Alemão, Educap, Voz da Comunidade, Verdejar, Realidade do Alemão, Renata Trajano, Wagão, Carlos Coutinho e Marize todos trocando, andando pelas favelas do Alemão, nos articulando, registrando, solicitando socorro. JUNTOS PELO COMPLEXO DO ALEMÃO. A Relatora da ONU presa no trânsito caótico da cidade. ENCONTRO ADIADO PRA AMANHÃ PARTINDO DO VERDEJAR, no Sapo. De uma hora pra outra, outra tragédia. Agora no Morro das Palmeiras. 20 casas perto de desabar. Não, são 10. Registro da nossa rede chega de lá. Parece menos grave que o relatado. Vamos pra lá. Chegando lá o desespero das famílias ligando desde cedo e a defesa civil mandando esperar. UMA CASA DE 3 ANDARES estalando e a ponto de desabar. Ligamos e pressionamos a defesa civil. Retomamos pra rede. Divulgamos, denunciamos. E a casa caindo, estalando. . . vai cair, vai cair. . . A defesa civil chega junto à GeoRio e percebem o tamanho do problema. Pego a filmadora e começo a registrar. Converso com o Jair e sua jovem esposa moradores da casa. Ele relata o desespero desde a madrugada e . . . VAI CAIR, VAI CAIR. . . .A CASA DESABA em cima de outras 4 ou 5. Gritaria, choros, mais gritaria. Volto ao Jair agora com sua irmã que agradece pela vida de todos e que temos que ter forças e reconstruir nossos lares. GARRA, FORÇA, RESISTÊNCIA DESSA GENTE QUE TODOS OS DIAS LEVANTA, TRABALHA E RECONSTRÓI A VIDA. Somos Complexos, mas somos de luta e resistência SEMPRE SOMOS COMPLEXO DO ALEMÃO[1]

Quem compõe o Coletivo?

  • Coletivo Papo Reto
  • Voz das Comunidades
  • MEAA - Mulheres em Ação do Alemão
  • Educap
  • Solta a voz morador
  • Ocupa Alemão
  • Instituto Raízes em Movimento

 

2020 | Juntos contra o coronavírus

Mais uma vez, unidos para defender as favelas, o coletivo centra forças no combate ao coronavírus. Seja recebendo doações ou destinando apoio aos moradores do Alemão, atua fortemente no território. Além disso, faz uma importante disputa das políticas públicas para a favela. Você pode conferir clicando aqui o manifesto feito sobre o tema.

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Para conhecer melhor a campanha e contribuir com o Coletivo, clique aqui

Doações para o combate ao Coronavírus podem ser feitas em dinheiro, por meio de depósitos ou transferências bancárias para os coletivos ou doação de mantimentos: 

●    Instituto Raízes em Movimento (dinheiro)
CNPJ: 06.985.542/0001-47
Bradesco
Agência: 2043 | Conta: 36614-5 | Tipo: Conta-Corrente
raizesemmovimento.comu@gmail.com  
contato: 21 99311-9672

●    Associação Coletivo Papo Reto (dinheiro)
CNPJ: 33.517.057/0001-11
Banco Santander
AG: 0925
CC: 13001139-8
comunicapprt@gmail.com 
contato: 21 98501-2080

●    ONG Voz das Comunidades (dinheiro)
CNPJ 21.317.767/0001-19
Caixa Econômica Federal
Agência: 0198 
Conta Corrente: 3021-2 - Operação: 03
contato@vozdascomunidades.com.br

●    EDUCAP - Espaço Democrático de União, Convivência, Aprendizagem e Prevenção (dinheiro)
CNPJ: 14.537.014/0001-53
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL ( BANCO Nº 104)
Agência:1095
Conta:00001445-7
contato 21-988323246

●    Escola Quilombista Dandara de Palmares / Ocupa Alemão (dinheiro)
ITAÚ
Leonardo C de Souza
CPF: 115.298.377-66
Agência: 0778
Conta: 11505 5

●    Escola Quilombista Dandara de Palmares / Ocupa Alemão (Mantimentos)
contato: Léo - 21 98962-9804

●    Casa Voz (Mantimentos)
contato: Marcella - 21 96463-2334

●    EDUCAP - Espaço Democrático de União, Convivência, Aprendizagem e Prevenção (Mantimentos)
Rua Canitar s/n Campo do Sargento Inhaúma
contato: 21-988323246 – Lúcia

Quer saber mais e acompanhar o trabalho do Coletivo? Acesse o Facebook deles!

Ações contra a COVID 19

Distribuição de cestas básicas para os moradores

O Coletivo distribuiu cestas básicas para algumas famílias do Complexo do Alemão com cadastramento desses(as) moradores(as), em sua grande maioria, mulheres negras, mães, donas do lar e, também, muitas idosas tomando a frente da situação. Todo o material  foi fruto de doações para ajudar a diminuir os impactos da pandemia de Coronavírus na favela.

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Carro de som alertando os moradores sobre o Coronavírus

O Coletivo colocou um carro de som pelas ruas do Complexo do Alemão pedindo que a população tome os cuidados devidos contra o Covid19 e, se puder, FICAR EM CASA:

Grafite contra o Corona

David Amen, do Coletivo, fez grafites pelo Alemão numa ação comunicacional para alertar contra a COVID19.

Se puder, fique em casa..jpg
Evite aglomerações..jpg

 

Comunicação Comunitária

Atividade do Coletivo espalhou faixas usando a comunicação direta para passar a mensagem dos cuidados contra o Coronavírus.

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A Planta que Salva.jpg

Referências

JUNTOS PELO COMPLEXO DO ALEMÃO. Diversos. Disponível em: <https://www.facebook.com/juntospelocomplexodoalemao/>. Acesso em: 04 jan. 2018.

CUNHA, M. B. ; PORTO, M. F. S. ; PIVETTA, F. ; PINHEIRO, A. B. ; SOUSA, F.M. . Caderno de Oficinas: Territórios em Movimento - Número 1. 2013. (Material político pedagógico – ENSP/FIOCRUZ.).

______. Caderno de Oficinas: Territórios em Movimento - Número 2. 2014. (Material político pedagógico – ENSP/FIOCRUZ.).

CUNHA, M. B. ; PORTO, M. F. S. ; PIVETTA, F. ; ZANCAN, L. ; FRANCISCO, M. S.; PINHEIRO, A. B. ; SOUSA, F.M. ; CALAZANS, R. . O desastre no cotidiano da favela: reflexões a partir de três casos no Rio de Janeiro. O SOCIAL EM QUESTÃO, v. 18, p. 95-122, 2015.

PORTO, M. F. S. ; CUNHA, M. B. ; PIVETTA, F. ; ZANCAN, L. . Relatório Técnico do Projeto “Políticas Públicas, Moradia, Saneamento e Mobilidade: uma análise participativa o PAC na perspectiva da Promoção da Saúde e da Justiça Ambiental”. 2015. (Relatório de pesquisa Chamada MCTI/CNPq/MCIDADES Nº 11/2012 – ENSP/FIOCRUZ.).