Violência urbana no Brasil ontem e hoje (disciplina acadêmica)

Por equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco

Autora: Palloma Menezes.

Sobre a disciplina[editar | editar código-fonte]

A disciplina “Violência urbana no Brasil ontem e hoje” está sendo ministrada por Palloma Menezes no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ) ao longo do segundo semestre de 2021.

O objetivo do curso é refletir sobre como a violência urbana no Brasil vem sendo debatida desde suas autoras e autores pioneiros até estudos mais recentes. Tal reflexão terá como ponto de partida categorias – tanto nativas como analíticas – que estruturam a forma como a violência urbana é apresentada no debate público brasileiro.

O curso começará com a discussão de levantamentos e balanços bibliográficos que apresentam diversas possibilidades de leitura e organização da vasta produção acadêmica sobre o tema.

As aulas seguintes visam problematizar: a) como diferentes pesquisadoras e pesquisadores definem a violência urbana no Brasil; b) como raça e classe perpassam o debate sobre crime, polícia e justiça criminal; c) quais são as categorias centrais que estruturam o debate sobre a violência urbana brasileira.

Policial, bandido, traficante, ladrão, preso, menor infrator e miliciano são algumas das categorias que servirão como portas de entrada para discussão sobre práticas de policiamento, experiências de punição e vivências no “mundo do crime”.

Embora distintas, essas são temáticas indissociavelmente relacionadas. A indissociabilidade entre elas – assim como entre o legal e o ilegal, o lícito e o ilícito, o formal e o informal – será problematizada a partir de outras categorias como ex-bandido, guerra, pacificação e auto de resistência que permitem debater os impactos dos conflitos cotidianos gerados pela sobreposição de diversas formas de ordenamentos (religioso, criminal e estatal) presentes em centros urbanos brasileiros.

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Temas das aulas [editar | editar código-fonte]

Ao longo da disciplina as alunas e os alunos do curso criarão verbetes com resenhas dos textos debatidos. Segue, abaixo, os temas das aulas com os links para as resenhas produzidas ao longo do curso:

Revisões bibliográficas sobre violência urbana no Brasil[editar | editar código-fonte]

1.ADORNO, Sergio. A Criminalidade Urbana Violenta no Brasil: Um Recorte Temático”. BIB – BoletimInformativo e Bibliográfico de Ciências Sociais, n° 35, 2o semestre, pp. 3-24, 1993.

2. KANT DE LIMA, Roberto; MISSE, Michel; MIRANDA, Ana Paula Mendes. Violência, Criminalidade, Segurança Pública e Justiça Criminal no Brasil: Uma Bibliografia. BIB - Boletim Informativo e Bibliográfico de Ciências
Sociais, Rio de Janeiro, n.° 50, 2.° semestre de 2000, pp. 45-123

Representações da violência urbana[editar | editar código-fonte]

3. MISSE, Michel. Sobre a acumulação social da violência no Rio de Janeiro. Civitas, Porto Alegre, vol. 8, no 3, pp. 371-385, 2008a.

4. MACHADO DA SILVA, Luiz Antonio. “Violência urbana, segurança pública e favelas: o caso do Rio de Janeiro atual”. Cadernos CRH, Salvador, 23, 59:283-300, 2010.

5. MACHADO DA SILVA, Luiz Antonio; MENEZES, Palloma. (Des)continuidades na experiência de vida sob cerco e na sociabilidade violenta. Novos Estudos. CEBRAP, v. 38, p. 529-551, 2019.

Raça e gênero no debate sobre crime, polícia e justiça criminal [editar | editar código-fonte]

6. SOARES, Gláucio A. D.; BORGES, Doriam. A cor da morte. Ciência Hoje, v. 35, n. 209, p.26-31. out, 2004.

7. MEDEIROS, Flávia. Sobre discursos e práticas da brutalidade policial: um ensaio interseccional e etnográfico. Revista ABPN, v. 11, p. 108-129, 2019.

Policial [editar | editar código-fonte]

8. KANT DE LIMA, R. A polícia da cidade do Rio de Janeiro: seus dilemas e paradoxos. Rio de Janeiro: Forense, 1995.

Bandido[editar | editar código-fonte]

9. MISSE, Michel. “Crime, sujeito e sujeição criminal: Aspectos de uma contribuição analítica sobre a categoria bandido”. Lua Nova, n. 79, pp. 15-38, 2010.

10. FELTRAN, Gabriel. Trabalhadores e bandidos: categorias de nomeação, significados políticos. Temáticas (UNICAMP), v. ano15, p. 11-50, 2007.

11. ZALUAR, Alba. Trabalhadores e bandidos: identidade e discriminação. In:  Alba Zaluar. A Máquina e a Revolta: as organizações populares e o significado da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 1985, pp. 132-172.

Ladrão[editar | editar código-fonte]

12. FELTRAN, Gabriel; MOTTA, Luana. Polícia e ladrão: Uma abordagem etnográfica em pesquisa multimétodos. RUNA, archivo para las ciencias del hombre, v. 42, p. 43-64, 2021.

13. GRILLO, Carolina; MARTINS, Luana. Indo até o problema: Roubo e circulação na cidade do Rio de Janeiro. Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, Vol. 13 – no 3 – SET-DEZ 2020 – pp. 565-590.

14. AQUINO, Jania. Etnografando assaltos contra instituições financeiras: a publicação da pesquisa, seus impasses e desdobramentos. Iluminuras, Porto Alegre, v. 16, n. 39, p. 184-210, jan./ago. 2015.

Preso[editar | editar código-fonte]

15. LOURENÇO, Luiz; ALVAREZ, Marcos. Estudos sobre prisão: um balanço do estado da arte nas Ciências Sociais nos últimos vinte anos no Brasil (1997-2017). BIB - Boletim Informativo e Bibliográfico de Ciências Sociais, v. 02, p. 216-236, 2018.

16. GODOI, R. (2015). Fluxos em cadeia: as prisões em São Paulo na virada dos tempos. 2015,243 f. Tese (Doutorado) - Departamento de Sociologia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

17. ISRAEL, V. P.; PEREIRA, N. B. Estudo sobre a distribuição das taxas de encarceramento nos estados brasileiros e principais variáveis associadas: Influências socioeconômicas e ideológicas. DILEMAS: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, v. 11, n. 3, p. 385–411, 2018.

Menor infrator[editar | editar código-fonte]

18. NERI, Natasha Elbas. O "convívio" em uma "cadeia dimenor": um olhar sobre as relações entre adolescentes internados. Revista de Antropologia Social dos Alunos do PPGAS-UFSCar, v.3, n.1, jan-jun, p.286-292, 2011.

Miliciano[editar | editar código-fonte]

19. HIRATA, Daniel Veloso; CARDOSO, Adauto; GRILLO, Carolina Christoph; SANTOS JR., Orlando; LYRA, Diogo; DIRK, Renato; RIBEIRO, Rodrigo; PETTI, Daniela; SAMPAIO, Júlia. A Expansão das Milícias no Rio de Janeiro: uso da força estatal, mercado imobiliário e grupos armados. Relatório Final, 2021.

20. CANO, Ignácio; DUARTE, Thais Lemos. No Sapatinho: A Evolução das Milícias no Rio de Janeiro (2008-2011). Rio de Janeiro: Heinrich Boll Stiftung, 2012.

21. ZALUAR, Alba; CONCEIÇÃO, Isabel S. Favelas sob o controle das milícias no Rio de Janeiro. São Paulo em Perspectiva, v. 21, n. 2, p. 89-101, 2007.

Ex-bandido[editar | editar código-fonte]

22. TEIXEIRA, Cesar Pinheiro. De “Corações de Pedra” a “Corações de Carne”: Algumas Considerações sobre a Conversão de “Bandidos” a Igrejas Evangélicas Pentecostais. DADOS: Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v.54, n. 3, p. 449-478, 2011.

23. MACHADO, Carly Barboza. Pentecostalismo e o sofrimento do (ex-) bandido: testemunhos, mediações, modos de subjetivação e projetos de cidadania nas periferias. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 20, n. 42, p. 153-180, jul./dez. 2014. Disponível em:<http://dx.doi.org/10.1590/S0104-71832014000200007>. Acesso em 28 out 21.

24. CORRÊA, Diogo Silva. Entre o querer e o não querer: Dilemas existenciais de um ex traficante na perspectiva de uma sociologia dos problemas íntimos. Tempo Social, 32(2),  175-204, 2020.

Guerra[editar | editar código-fonte]

25. BIRMAN, Patrícia & PIEROBON, Camila. Viver sem guerra? Poderes locais e relações de gênero no cotidiano popular. Rev. antropol. (São Paulo, Online) | v. 64 n. 2: e 186647 | USP, 2021.

26. LEITE, Márcia. (2000), “Entre o individualismo e a solidariedade: dilemas da política e da cidadania”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 15 (44):73-90.

27. BIRMAN, Patrícia & PIEROBON, Camila. Viver sem guerra? Poderes locais e relações de gênero no cotidiano popular. Rev. antropol. (São Paulo, Online) | v. 64 n. 2: e 186647 | USP, 2021.

Pacificação[editar | editar código-fonte]

28. MENEZES, Palloma. Monitorar, negociar e confrontar: as (re)definições na gestão dos ilegalismos em favelas “pacificadas”. Tempo Social, 30(3), 191-216, 2018.

29. FRANCO, M. UPP- A redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. 2014, 136 f, Tese (Mestrado)- Programa de Pós-Graduação em Administração da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Turismo da Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

30. ROCHA, Lia; MOTTA, Jonathan. Entre Luzes e Sombras: o Rio de Janeiro dos Megaeventos e a militarização da vida na cidade. interseções - revista de estudos interdisciplinares, v. 22, p. 225-248, 2020.

Auto de resistência [editar | editar código-fonte]

31. HIRATA, Daniel; GRILLO, Carolina; DIRK, Renato. Efeitos da Medida Cautelar na ADPF 635 sobre as Operações Policiais na Região Metropolitana do RJ. Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, Rio de Janeiro – Reflexões na Pandemia 2020 – pp. 1-11.

32. RAMACHIOTTI, Bruna. Armadura institucional e legitimação da violência policial: Um olhar a partir de São Paulo em tempos de pandemia. DILEMAS: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social. Rio de Janeiro, 2021. pp. 1-19

33. GODOI, R. ; GRILLO, C. C. ; TONCHE, J. ; MALLART, F. ; RAMACHIOTTI, B. ; BRAUD, P. P. . Letalidade policial e respaldo institucional: perfil e processamento dos casos de resistência seguida de morte na cidade de São Paulo. Revista de Estudios Sociales, p. 58-72, 2020.